Notas sobre Entardecer

 

Notas de divulgação

Finalizado em setembro de 2016, o curta-metragem “Entardecer”, dirigido por Muriel Paraboni, já traz 6 seleções em festivais internacionais em três meses de circuito. Recebeu o Prêmio Especial do Júri – Destaque em Direção no 12o Blow-Up Chicago International Arthouse Film Festival e Menção Honrosa no Experimental Fórum, de Los Angeles, ambos eventos dedicados ao cinema artístico e experimental. Fez parte das seleções oficiais do Hong Kong Arthouse Film Festival e do 14o Festival International Signes de Nuit – Paris,  onde foi exibido em novembro, integrando as listas dos melhores em sua categoria no Los Angeles CineFest, em setembro, e do Ibiza CineFest, em novembro.

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Entardecer
é produto de extensa experimentação com as linguagens de cinema, teatro e artes visuais, envolvendo procedimentos de desenho, pintura e vídeo-projeção. O projeto levou 5 anos para ser concluído e foi feito de forma quase artesanal, apesar da tecnologia digital envolvida. A maior parte das filmagens aconteceu em dezembro de 2013 nas cidades de Torres e Três Coroas, reunindo uma equipe de cerca de 20 pessoas. Novas imagens foram realizadas ao longo de 2014, enquanto o filme era montado.

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 “Quem, espelhos, soube descrever nunca
por dentro o vosso ser obscuro.”
Rilke

A produção foi de Fabianne Freitas e Patrícia Lampert, que se associaram ao projeto. A direção de fotografia é da dupla Fábio Del Re e Carlos Stein,  conhecidos por seus trabalhos autorais e atuação no campo das artes visuais. O processo de finalização levou outros dois anos, tempo para se construir o desenho de som e a trilha musical, com assinatura de Carina Levitan, e para o minucioso trabalho de pós-produção, envolvendo efeitos de colorismo digital, realizado por Luís Otávio Feldens. O filme tem produção da Véspera Cinema e Artes e co-produção da Locall de Cinema e Televisão, Ilha Flutuante e Zerooito Motion.

 

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O roteiro segue as memórias de um casal, interpretado por Leonardo Machado e Tatiana Bianquin, que revive momentos de suas vidas transfigurados na paisagem de uma praia. Memórias e antigos silêncios se confundem na cadência das águas, no declinar das luzes de todos os entardeceres. É nessa espécie de “trilha dos desejos” que os personagens se reencontram consigo mesmos. Em linguagem poética e com uma estética quase abstrata, o filme investe no silêncio e na expressão visual, contando também com a participação de Francisco Jahn, Marilei Goldoni, Leonardo Becker, Júlia de Andrade Schifino e Theo Dzioubanov, que encarnam os diversos espectros do passado e do futuro vividos pelos personagens.


Notas do diretor

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Entardecer
é resultado de uma longa depuração de idéias, experiências e referências artísticas. A intenção foi realizar um filme em que a narrativa estivesse diluída no movimento das águas, de forma lenta e constante, indo e vindo entre a paisagem da praia e o coração mesmo dos personagens, simbolizado pelo interior da casa. A inspiração principal do filme é, sem dúvida, “O Espelho”, de Andrei Tarkovski. Todas essas marcas sutis que os membros de uma família inscrevem uns nos outros através dos tempos, memórias, medos, silêncios, ressentimentos, perplexidades, é disso que o filme trata afinal.

Entardecer é, acima de tudo, um olhar poético sobre o ser, uma tentativa de mergulhar nos sentimentos humanos profundos e na extrema transitoriedade de nossas experiências.

A linguagem poética e a estética quase abstrata devem ao universo das artes e do teatro em autores como Beckett e Bob Wilson, mas também à pintura e à fotografia contemporânea, que trouxeram forma, emoção e significado para o jogo de cores que anima as cenas. Entardecer é, acima de tudo, um olhar poético sobre o ser, uma tentativa de mergulhar nos sentimentos humanos profundos e na extrema transitoriedade de nossas experiências, explorando os melhores potenciais que as linguagens do cinema e das artes podem oferecer juntos, trabalhando conceitualmente com o mesmo objetivo, numa mesma direção.